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11/03/2012 20:31:17
Inteligência competitiva: fuja dos oportunistas

A metodologia ganha cada vez mais adeptos, quer no campo da teoria, quer na prática. Muitos cursos são oferecidos. A quantidade aumenta, mas: e a qualidade?

Por Alfredo Passos


Inteligência competitiva teve um boom nas empresas e instituições de ensino nos últimos anos.

A competição entre países (o efeito China), empresas (produtos chineses) e serviços, mostra: os competidores de ontem, não são os de hoje.

Empresas que estavam tranquilas na liderança de mercado, atualmente estão ameaçadas ou já perderam o posto. Muitas sem entender o porquê.

O tamanho, o porte da empresa já não assegura mais o sucesso empresarial. Grandes corporações brasileiras perdem espaço no cada vez mais competitivo “mercado internacional”. A justificativa do custo Brasil, do câmbio e do preço baixo de outros países, esconde a falta de inovação, a falta de estudo de outros mercados e o excesso de benefícios para executivos da alta direção – que ganham muito e produzem pouco.

As médias e pequenas empresas estão diante do dilema “do crescimento” e sabem que, se não ficarem atentas ao cliente, ao consumidor, ao mercado, serão devoradas pelas grandes muito em breve.

 

A bola da vez

Esta situação abre um campo de trabalho positivo para empresas de prestação de serviços, quer no âmbito da consultoria, do treinamento ou da educação.

Hoje no Brasil o que não falta são propostas de treinamento e cursos de várias naturezas. Daqueles de um, dois dias, aos programas de especialização, especialmente os chamados cursos de pós-graduação ou MBA.

Com o avanço da tecnologia e a necessidade de atender profissionais e interessados de vários estados e municípios brasileiros, já existe a oferta de cursos no formato “ensino a distância (EAD)”.

Ou seja, a quantidade aumenta. Mas pergunto: e a qualidade?

Para a qualidade aumentar, faz-se necessário, “professores”. E que tipo de professor pode-se encontrar nestes cursos. Ainda não temos professores formados para todos os cursos propostos. Basta verificar: os cursos tem uma carga horária de MBA, mas para completar esta carga horária proposta, são ministradas disciplinas de tecnologia, de gestão, de pesquisa de mercado, metodologia científica, enfim, vários temas agradáveis, interessantes e oportunos, mas não centrais a um curso efetivo de inteligência competitiva.

Mas e os professores de IC? Poucos são os profissionais que praticam, praticaram, estudam ou estudaram inteligência competitiva no Brasil. E até acrescento, uma informação da International Association for Intelligence Education (IAFIE): faltam professores de inteligência no mundo.

Com isso, muitos cursos e seus respectivos coordenadores e professores, são formados simplesmente a partir da oportunidade que o mercado está oferecendo. Mas de novo a pergunta: e a qualidade do curso?



Uma distinção entre oportunidade e oportunistas é muito necessária.

Segundo o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis:

o.por.tu.ni.da.de – sf (lat opportunitate) – 1. Qualidade de oportuno. 2. Ocasião favorável; ensejo. 3. Conveniência.

o.por.tu.nis.ta – adj m+f (oportuno+ista) – Relativo ao oportunismo. adj e s m+f. 1. Que, ou quem aproveita as oportunidades. 2. Que, ou pessoa que é partidária do oportunismo.

Associações como a Strategic and Competitive Intelligence Professionals – SCIP e a International Association for Intelligence Education – IAFIE nos EUA, a Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva – ABRAIC, Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado – IBRAMERC, no Brasil, buscam mostrar que este não é um campo de trabalho e estudo para aventureiros. Mas sim, para profissionais comprometidos com a teoria e prática com qualidade internacional. Existem teorias, quer seja, livros, artigos científicos, revistas, jornais que fundamentam a prática.

E este é um assunto moderno, porque a competição se tornou algo assim, mais agudo, recentemente. Este discurso que sempre se analisou a concorrência, que a empresa sempre fez isso e agora se chama de outro nome, que a globalização começou com Cabral ou Colombo, é “fala” de pouco conhecimento no tema.

Por isso, antes de escolher seu próximo curso de inteligência competitiva, seja de curta ou longa duração, avalie o entendimento da organização e de seus “instrutores – facilitadores – professores”. Eles já estudaram e/ou praticaram inteligência competitiva alguma vez nesta vida?

 

Sobre o Autor:
Alfredo Passos - (@apassoskmc) Partner da Knowledge Management Company, Professor ESPM, Membro da Society of Competitive Intelligence Professionals - SCIP, autor de diversos livros sobre Inteligência Competitiva.

 

Fonte: http://webinsider.uol.com.br/2012/02/01/inteligencia-competitiva-fuja-dos-oportunistas/

http://revie.com.br/page.php?name=blog&id=135&ano=2012&id=135&ano=2012

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